segunda-feira, 25 de maio de 2015

A Chegada aos States


Bem... Sai de Brasília 10:30. Comprei as passagens pela Tam. O checkin e tudo mais no aeroporto foi tranquilo. Fui de classe executiva. As poltronas eram bem confortáveis. Cada uma tinha um sistema de entretenimento com filmes, series e música. Às 11:40 foi servido almoço: lasanha, salada, bebida e uma sobremesa de maracujá. Estava tudo gostoso. Depois serviram café e chocolate. Tudo muito simpático.


  Desci em Miami onde pegaria o vôo da Delta. Segui o fluxo das dezenas de pessoas que desceram no meu vôo rumo ao balcão da imigração. Estava tensa... vai que esse cara implica comigo... tinha na ponta da língua todas as respostas para as perguntas clássicas e todos os documentos comprovando tudo.

Quando chegou minha vez, a primeira coisa que ele me perguntou foi como eu estava. Como assim? Pra quê quer saber isso? Travei. Ele abriu um sorriso e repetiu. Relaxei e a conversa fluiu. Ele me perguntou para onde estava indo e o que iria fazer. Respondi que iria visitar uma amiga no KY e depois iria para um congresso em Nova Orleans. Ele me perguntou se eu era estudante e de que. Respondi tudo e ele carimbou meu papel e me liberou. Puxa, saí de lá me sentindo uma vitoriosa. Me virei na imigração sozinha =D

Depois que peguei minha mala e saí da área da imigração, aí sim me senti perdida... Não pelo aeroporto grande, mas porque depois de 8 horas de vôo totalmente incomunicáveis, cheguei lá e continuava incomunicável. Deixei para trocar meus reais por dólares só no aeroporto de Miami, para fugir do IOF. Quando cheguei na para perguntar quanto estava o dólar, decepção total. Dólar a R$3,66. Fiquei chateada... queria falar com a Kathleen para saber quanto estava o dólar em Lexigton, queria falar com o Magno mas não conseguia falar com ninguém. Estava completamente incomunicável, sozinha e frustada...

Respirei, me conformei e fui procurar meu portão de embarque. Decidi deixar para trocar o dinheiro em Lexington. Já havia feito o check-in pela internet na noite anterior, mas no bilhete não havia ainda definição de portão. Fui até o balcão da Delta, reimprimi meu bilhete e me dirigi ao portão.

Lá eu tive que passar pelo raio X. Desta vez não despachei as malas porque meu vôo da Delta não incluía bagagem despachada e cada mala custaria 50 dólares. A fila para o Raio X estava enorme, lá um oficial inspecionando as mãos das pessoas explosivos...

Coloquei minha mala no Raio X e tcharammm: Apitou. Uma oficial muito simpática me pediu para abrir a mala. Fui destravar para ela, começamos a conversar e o problema era um presente que eu estava levando para a Kathleen: um sabonete líquido e um hidratante de frutas tropicais da natura. O limite para carregar líquidos é de 100mL. Eu sabia disso mas pensei que fosse só para voo internacional. Ela me perguntou de onde eu era, o que era... Expliquei que era um presente para uma amiga... Ela então me mandou voltar e despachar. Lembrei dos 50 dólares, e da fila enorme que teria que pegar novamente. Então falei pra ela simplesmente ficar pra ela (neste momento ela já estava cheirando os frascos). Ela ficou super contente e eu segui em frente.

Achei o portão e fiquei esperando. Observando as pessoas tão diferentes que haviam ali. Tinha um senhor negro de barbas brancas, tão caricato... e ele estava lendo um jornal antigo, amarelado. O jornal era de 1998... fiquei intrigada...

Entro no avião, nova decepção, não tinha internet no voo. Sentei na poltrona, o avião decolou e eu dormi.

Acordei já na hora da aterrissagem. O avião pousou e passou uma eternidade para descermos. E eu ansiosa ainda... porque ainda não tinha conseguido mandar notícias pra ninguém.

Quando desci em Atlanta... uau... o aeroporto é enorme. Meu portão já estava escrito no bilhete, então fui seguindo as placas, até uma que dizia: Portão I - a pé siga em frente, para o metro, siga a esquerda. Como assim metrô? Vou ter que sair do aeroporto para encontrar esse bendito portão? Mas como estava em cima da hora do embarque resolvi ir de metrô. Quando fui caminhando para a porta automática... eis que abre a porta do metrô! Sim, o metrô dentro do aeroporto. Coisa mais surreal!! Meu portão ficava a 4 estações de onde eu estava. Percebi o qual excelente foi a ideia de pegar o metrô. Desci e ainda tive que andar muito para chegar ao portão. Fui a última a embarcar.



No terceiro voo, huhuhuhu, temos internet. 2,50 dólares meia hora. Para quem estava desesperada como eu, fiquei muito feliz. Passei o voo falando com o Magno (thank's God) e o avião pousou antes da minha meia hora de internet acabar (raiva).

O aeroporto de Lexington é bem bonito. Tudo bem ao estilo da cidade, com belos tapetes, peças de madeira e pinturas e esculturas de cavalos por todos os lados.

Ao sair do desembarque, encontrei a Kathleen. Foi muito emocionante encontrá-la. Ela é um amor de pessoa. Em alguns minutos já estava me sentindo a vontade em conversar com ela (apesar dos meus muitos lapsos no idioma).

Chegamos na casa dela, todos estavam dormindo. Ela me serviu Bagels com cream cheese e leite. hum... depois claro, desmaiei na cama.

USA 2015

Antes da Viagem

A possibilidade desta viagem surgiu pela insistência de minha querida orientadora Cristine, para que eu participasse do ASM General Meeting, umas das maiores conferências em microbiologia do mundo, promovida pela Sociedade Americana de Microbiologia. Este ano o congresso acontecerá em New Orleans, lugar que nunca pensei em conhecer e sobre o qual tudo o que conhecia se resumia aos Pântanos dos desenhos do pica-pau que eu via quando criança e a cultura de vodoo da cidade que eu vi no filme A chave mestra...

Em Janeiro tomei a decisão final,  enviei o resumo do trabalho e comecei os planejamentos. Estava com muita vontade de estender minha estadia para fazer um curso de inglês rápido lá. Mas em New Orleans não encontrei nenhum. Então comecei a procurar em outras cidades por onde eu poderia passar sem gastar muito.

Kathleen
A Kathleen é um capítulo a parte dessa história.  Mas só para contextualizar... 
Quando eu era criança estudava em uma escola no José Walter chamada Doris Johnson.  Era uma escola filantrópica que foi construída com contribuições de uma associação americana,  a Compassion Internacional.  Lá eles tem um sistema de apadrinhamento de crianças onde um casal americano apadrinha uma criança da escola.  Eles pagam uma mensalidade que ajuda a manter a escola e se correspondem com as crianças,  enviam cartinhas, fotos, presentes de natal e aniversário e criam laços afetivos. Vez por outra alguns americanos vinham até  visitar seus "afilhados" no Brasil. Muitas daquelas crianças passavam por severas dificuldades financeiras,  lares desestruturados etc. E essa relação com esses estranhos que estavam a milhares de quilômetros do Brasil trazia esperança,  fé e alegria. O sonho de muitas delas inclusive o meu era conhecer seus padrinhos pessoalmente.
Foi aí que conheci a Kathleen.  Ela me apadrinhou quando eu tinha uns 7 anos e nos correspondemos através deste projeto até meus 13 anos quando sai da escola e perdemos contato totalmente.

Há algum tempo atrás nos encontramos no Facebook.  Ela hoje é divorciada e tem 3 filhos adolescentes. E eu casada e com meus  filhos pequenos. 
Foi muito legal contar pra ela que aquela menininha a quem ela ajudou há tantos anos atrás terminou faculdade e está fazendo doutorado.  Ela ficou muito orgulhosa! E eu pude agradecer por tudo que ela fez por mim. Desde então passamos a conversar com bastante frequência, já que agora não precisamos mais da Compassion para traduzir nossas cartas. Nos falamos online pelo Facebook (bendito Facebook) toda semana.


E voltando a história da viagem,  quando disse pra Kathleen que ia aos EUA ela me convidou para passar alguns dias na casa dela e procurar o curso de inglês por lá. Acabou que depois não encontrei curso de uma semana, o mínimo que tinha era de um mês e eu não estava disposta a passar tanto tempo assim longe. Então resolvi ir uma semana antes do congresso só para passear, conhecê-la pessoalmente (afinal tive esse sonho de infância), treinar meu inglês, conviver com uma família americana  e conhecer seu estilo de vida. 

Por isso aqui estou eu, rumo a Lexington, Kentucky.  Uma cidade nada turística que poucos brasileiros já ouviram falar,  cujo ponto alto é corrida de cavalo. Mas com uma empolgação enorme, ansiosa e emocionada com as pessoas que encontrarei lá!

domingo, 3 de maio de 2015

O começo...

Há um tempão tenho vontade de registrar nossas viagens em um blog... Mas sempre falta tempo...

Muitas viagens aconteceram e o blog não. Minha primeira viagem internacional não pode passar em branco, né.

Assim, vou começar por ela e aos poucos pretendo ir relembrando as viagens que já fizemos...

Afinal, antes tarde do que nunca, né?